Alguns países promulgaram leis que convalidam a prática do aborto. Essa legalidade estrita não afastou, entretanto, a imoralidade de se atentar contra a vida; apenas concedeu uma permissão formal para que mulheres grávidas se utilizassem desse método cruel e desumano, para interromper a geração de uma criança cujo nascimento não seria desejado e poderia causar incômodos.
A legalização do aborto também permite que mulheres grávidas se utilizem desse artifício bárbaro de controle de natalidade, submetendo-se a procedimentos cirúrgicos de forma aparentemente urbana, civilizada, na serenidade que uma clínica oferece, ao empregar todos os preceitos da assepsia moderna, capazes de assegurar o bem estar da paciente. Tudo muito louvável, se não fosse pela morte certa de uma criatura indefesa que repousa protegida, no aparente santuário do útero materno.
Faço, aqui, um paralelo com o filme que esta semana os cinemas das principais capitais brasileiras (e do Mundo) exibem: Ponto Final, do cineasta Woody Allen. O enredo é simples: um homem casado conhece uma mulher sensual, e por ela se apaixona. Desse encontro é gerado um filho. Sua mulher, ainda que pouco atraente, é meiga, muito rica e lhe oferece segurança financeira. Por outro lado, sua amante é linda, sedutora, mas pobre e instável. Como administrar essa situação?
Confessar seu erro pode provocar uma separação. Valeria a pena perder a segurança duramente conquistada, profissional inclusive, em troca de um amor que talvez se confunda com atração física? A solução mais simples é eliminar o problema maior: aquela gravidez indesejada. Mas se a amante resiste; se ela deseja manter o filho em gestação? Como superar o impasse? Que bom se não existissem. Ora, mas isso não é de todo impossível, pensa - e não havendo melhor alternativa, resolve matá-los.
Nesse drama com toques de tragédia grega, mata-se a mãe, o filho em gestação, e para despistar a inevitável investigação policial, a vizinha, também.
O aborto nos países que legalizaram sua prática, não representa algo muito diferente. Um descuido; a mulher incauta se deixou engravidar; ou talvez, ele, afoito, não tomou precaução. Mas a medicina moderna oferece uma solução aparentemente rápida, barata, simples e acima de tudo, muito segura - e o legislador, arremata, oferecendo-lhes o respaldo da lei! Ninguém avisa, contudo, que a mãe grávida terá restaurada sua honra, mas quanto a sua tranqüilidade ..... ficarão seqüelas.
As histórias, acima, que se repetem todos os dias, e ao redor do Mundo, com ligeiras variações de enredo, na versão do consagrado Woody Allen, em seu último filme, Ponto Final ou Mach Point, vem maquiada na forma de um drama policial, mas tal qual qualquer aborto, deixará lesões psicológicas para o pai assassino. Aqui, o marido terá preservada sua segurança financeira, mas sua paz de espírito estará irremediavelmente destruída.
Agora, por ocasião da Semana da Anunciação – de 19 a 25 de março - procure evitar a repetição desse erro tão comum em nosso meio; exerça seu lado cristão, impedindo, pela simples orientação, a repetição do erro de se suprimir uma vida; oriente, sobretudo se você for médico, enfermeiro, parente, ou simples amigo, quem estiver prestes a submeter-se a um aborto – em surdina, pelas caladas, oculta, envergonhada pela aparente desonra. Demova alguém prestes a optar por essa alternativa trágica.
Em alguns países, é certo, estarão, os que abortam resguardadas por leis que lograram eliminar capitulação do crime; porém, qualquer que seja a hipótese, nunca afastarão o terrível sofrimento provocado em conseqüência do erro dramático, impiedoso, de se eliminar uma criatura em gestação.
Heitor Bastos-Tigre
heitor@bastostigre.com.br
Coordenador do Movimento
N. S. de Guadalupe
Março de 2006
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