| Em 1970 foi criada a ciência da fetologia. Isso foi possível graças ao desenvolvimento de novas e modernas tecnologias como, por exemplo, a ultra-sonografia que permite, através de ondas sonoras, reproduzir com relativa clareza e nitidez, os contornos do feto em gestação no útero materno.
O equipamento de ultra-sonografia consiste de um ‘scaner’ dotado de uma cabeça de cristal, que emite ondas de som em alta freqüência. O aparelho, acoplado a um processador matemático, decodifica os sons captados, transformando suas freqüências em imagens. Numa linguagem técnica, dizem que são ‘captadas as imagens desses sons’ – imagens reconstituídas pelos moldes do eco.
Esta altíssima tecnologia e a nova cátedra que se desenvolveu em torno dela, têm convencido a comunidade científica que os fetos reproduzidos nos exames de ultra-sonografia são, na realidade, membros ativos da humanidade. Por esse motivo, nos meios médicos é cada vez maior a convicção de que permitir, como se permite em alguns países, a prática do aborto, ou mesmo lutar pela sua legalização (em nome da saúde da mulher), é, na verdade, reivindicar uma licença para destruir, esmagar, desmembrar, uma criatura humana em formação, como vamos descrever em seguida.
A fetologia nos permite constatar que na 3ª semana de gestação o feto dispõe da estrutura do sistema nervoso que irá coordenar seus movimentos para o resto da vida; entre o 18º e o 25º dia, seu coração emite em média 140 batimentos por minuto; com 6 semanas o esqueleto já está perfeitamente formado, e a partir deste momento o feto adquire os reflexos normais de uma criatura, respondendo aos estímulos externos. Ondas cerebrais de um feto puderam ser captadas, com apenas 6 semanas de gestação; e, ao completar 8 semanas, ele dispõe de todo o sistema orgânico de um indivíduo, isto é, braços, pernas, olhos, cordão espinhal, pulmões, estômago e intestinos.
Estamos tão avançados nas descobertas e no processo tecnológico da medicina, que hoje, com os recursos de que dispomos, podemos até mesmo tratar desses pequenos pacientes no útero de suas mães. Tanto assim que, há um ramo da medicina que estuda o comportamento e a evolução da gestação, e que dispõe dos conhecimentos e da tecnologia necessária para tratar de um feto enquanto ele ainda se desenvolve.
Utilizando estes conhecimentos e a avançadíssima tecnologia, foi possível filmar através do sistema de ultra-sonografia, o aborto de um feto de apenas 11 semanas, pelo método da sucção. Todo este processo macabro foi acompanhado num monitor de televisão enquanto se consumava. As imagens são dramáticas, mas muito didáticas e absolutamente conclusivas.
Como sabemos, o útero é um músculo ao redor da criança. No aborto este é o campo da ação do aborteiro, que ao iniciar seu trabalho, se utiliza de um aparelho denominado espéculo, que, colocado na mulher grávida, permite, depois de acionado, avistar o colo do útero. Neste instante o aborteiro grampeia um objeto denominado tenáculo ao espéculo, para dilatar o colo do útero. No momento seguinte, utilizando-se de uma pinça em forma de ‘s’, introduzido na sua paciente, o aborteiro procura dilatar ainda mais o colo do útero, girando o instrumento metálico. Este exercício permite medir a profundidade e o tamanho da cavidade. Completada esta fase, o aborteiro finalmente coloca uma sonda de sucção que perfura o saco onde o feto flutua, e esvazia o líquido ali existente.
No monitor do aparelho de ultra-sonografia, fica registrado a imagem terrível daquele pequeno e frágil ser, ainda em formação, mas já é capaz de pressentir o perigo que enfrenta. Ele se contorce na barriga de sua mãe, e faz movimentos bruscos, numa tentativa desesperada e inútil de escapar dos instrumentos que ameaçam. Seu coração dispara e alcança 200 batimentos por minuto, reflexo do terror que experimenta.
Enquanto isso, na mesa de atendimento, a sonda, ligada a uma bomba mecânica, por onde sai um tubo de sucção, inicia o trabalho de triturar pelo método da aspiração, a indefesa criatura, expelida violentamente do útero. Neste processo, pouco a pouco o feto vai perdendo seus membros, seu corpo, enfim todo o seu sistema orgânico, à exceção da cabeça que não consegue passar pela sonda introduzida.
Concluída esta etapa, o corpo terá sido fragmentado e aspirado, mas a cabeça permanecerá flutuando no útero materno. Para retirá-lo da barriga, o aborteiro introduz um instrumento chamado de ‘pinça de polico’ no formato de uma tesoura, com dois anéis nas extremidades. Sua finalidade consiste em pescar a cabeça solta do feto. Com essa ferramenta ele espreme e dilacera o pequeno crânio, que em pedaços é retirado do santuário onde até ali se formava, em aparente segurança, com a proteção materna que a natureza lhe oferece.
O que acima se descreveu, absolutamente comprovado, como atesta o documentário de Bernard Nathanson, ‘O Grito Silencioso’, não vem aqui com o objetivo de produzir comoção. Trata-se, efetivamente, de uma realidade chocante, trágica, aviltante daquilo que pode haver de mais nobre na natureza humana, e é com essa preocupação que se quer chamar atenção para um drama que se repete a cada dia, a cada hora, dentro das barrigas de milhares de gestantes, mundo afora.
Como podemos considerar o aborto uma solução, em homenagem à liberdade da mulher, como um mal necessário, ou em atenção a circunstâncias pessoais, respeitáveis que sejam? A morte de seres em formação, chamados ao fenômeno vital sem serem ouvidos, e a quem, em seguida, se nega qualquer possibilidade de vir a ser, quando intencional, premeditado, é cruel assassinato.
Heitor Bastos-Tigre
heitor@bastostigre.com.br
Coordenador do Movimento
N. S. de Guadalupe
Maio de 1995
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